Por que as vacinas contra o coronavírus têm efeitos colaterais diferentes

Lembra quando diziam que aquela febre depois de determinada vacina é sinal de que ela “pegou”? É sabido que alguns imunizantes provocam mais sintomas que outros, e a história não é diferente em relação aos que protegem contra o coronavírus . Por isso, não é preciso temer as reações causadas por uma  vacina ou outra. Conversamos com especialistas para entender essas particularidades.

“O papel das vacinas é justamente provocar um processo inflamatório, fazendo com que o sistema imunológico responda a esse ataque. Esse acontecimento pode ser dolorido ou não, gerar sintomas ou não”, resume o biomédico Daniel Bargieri, professor e pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

Cada pessoa reage de forma distinta às vacinas, e não é possível prever qual terá mais ou menos efeito. Mas há algumas probabilidades.

Uma vacina como a Covishield, da AstraZeneca , por exemplo, pode causar sintomas mais intensos porque foi produzida por meio de um adenovírus, causador de resfriados em humanos. Vale frisar que esse vírus, apesar de teoricamente estar “vivo”, é modificado para não conseguir se replicar. Ou seja, não existe a possibilidade de ele se reproduzir no organismo humano.

A vacina da AstraZeneca recorre a um tipo de adenovírus de chimpanzés – e isso não deve ser encarado como um problema. “Vírus de resfriado são comuns em humanos e chimpanzés. Esses que são utilizados não causam doença nas pessoas”, reforça o professor.

A vacina da Janssen segue a mesma lógica. “Ela usa o adenovírus humano 26, também alterado para não se replicar”, ressalta Daniel. Trata-se do mesmo vetor utilizado na Sputnik Light Sputnik V, complementada na segunda dose com o adenovírus 5.

A CoronaVac, do Instituto Butantan , tende a provocar menos o organismo porque é produzida com o vírus morto. “Para que a inflamação ocorra, ele é combinado com um adjuvante, o hidróxido de alumínio. É essa substância que dá o alerta ao sistema imunológico”, ensina Daniel.

Já o imunizante do laboratório Pfizer é feito à base de RNA (ácido ribonucleico), e o nosso sistema imune foi treinado para encará-lo como sinal de perigo. “Nesse caso, a sirene que toca no organismo para informar que uma inflamação está ocorrendo é bem alta”, compara Daniel. Mas esse processo é controlado, isto é,  o RNA é modificado para manter a resposta no nível desejado.

A Covaxin, vacina indiana já comprada pelo Ministério da Saúde, promete menos reações, já que sua fórmula é bem semelhante à da CoronaVac.

A resposta inflamatória é parte da construção da imunidade e não é preocupante. “A gente começa a perceber esses sintomas em cerca de 24 horas, e eles podem durar até três dias. Depois, quem assume é a resposta adaptativa, que gera uma memória específica do vírus, consolidando-se em cerca de 14 dias”, afirma a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Fonte: saude.abril.com.br

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